Cara Estranho
Estava de pé no ônibus lotado voltando para casa depois de um dia muito cansativo de trabalho. Perguntava-me por que a série Star Wars é tão barulhenta se o som não se propaga no vácuo quando avistei sentado em um dos bancos do ônibus um tipo estranho. O sujeito parecia muito tenso. Soava muito, muito mesmo, de escorrer água pela testa! Estava tremendo e de pernas cruzadas…
Pernas cruzadas? Mas que diabos?
Lembrei-me de uma bela frase de Elvis Presley:
“Não critiques o que não entendes rapaz, nunca estiveste no lugar daquele homem.”
Voltei a pensar na vida. Perguntava-me por que o nome do filme é Missão Impossível se eles sempre conseguem realizar a porra da missão quando o cara estranho começou a fazer caras e bocas. Cruzava e descruzava as pernas, mexia na gola da camisa – visivelmente incomodado – e soprava o ar, apreensivo.
Esse maluco vai morrer dentro desse ônibus!
Então levantou curvado, abriu um pouco a janela e sentou novamente. O detalhe era que estava uns 10 graus na fria e úmida Caxias do Sul, e o cara parecia estar morrendo de calor. Enquanto imaginava que o indivíduo iria levantar e gritar algo do tipo: SIM! EU CRUZO AS PERNAS E ESTOU COM CALOR SEUS MERDAS!”, ou que cairia liso no chão se contorcendo, quem sabe saísse algumas larvas assassinas da sua boca ao mesmo tempo que seus olhos se desgrudavam do rosto, ou até mesmo tivesse sido demitido do emprego tendo sete barrigudinhos em casa para alimentar e pensando que iria apanhar da mulher ao chegar, o tempo passou e minha parada chegou.
Desci curioso e decepcionado.
Puta merda queria saber que fim levou aquele cara…
xxx
No dia seguinte trabalhei como nunca. Peguei o mesmo ônibus lotado de todos finais de tarde para ir para casa e voltei a pensar na vida. Perguntava-me se Adão tinha umbigo quando ouvi uma conversa que me chamou atenção.
- Bah guria, tu viu que tinha um cara quase morrendo no ônibus ontem?
- Bah guri, eu vi sim, coitado do cara.
Interrompi de imediato, já saboreando o gosto da vitória, iria descobrir o que havia acontecido com o maluco.
- Bah, mas e aí? Ele morreu? Virou zumbi? Apanhou da mulher? Cuspiu larvas assassinas?
Mas para minha surpresa e decepção a resposta foi a mais óbvia de todas.
- Na verdade ele cagou nas calças.
MAS QUE BARBARIDADE TCHÊ!
Diego is Back!
Elvisiano moreno, guitarrista dos bergas, observador de coisas inúteis, paradigma cartesiano-newtoniano da dinamyte pangaláctica do mochileiro das galáxias!
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Um Anjo em minha vida
Atenção! Texto bonito. Se você é nego véio sugiro que nem continue lendo.
- Eu sou um anjo em sua vida?
Amor, antes de você aparecer em minha vida tudo estava confuso, eu simplesmente não sabia o que fazer, estava perdida. Algumas escolhas erradas fizeram com que eu ficasse com medo de tudo e todos, sozinha no mundo. Confiar alguém? Eu havia prometido a mim mesma que nunca mais confiaria em alguém, as pessoas são más, poucas tem sentimentos. Antes de você amor, não havia perspectivas, meus sonhos nunca se realizariam, e te ver pela primeira vez me fez sentir que as coisas mudariam, te ver pela primeira vez foi um momento diferente de tudo o que se passara até hoje, uma sensação boa, um sentimento verdadeiro que começava a nascer em mim.
Amor, quando você começou a fazer parte da minha vida, tudo mudou, me senti viva outra vez. Todos aqueles sentimentos ruins que faziam parte de mim se foram, o ódio, a dúvida, a timidez, a desconfiança e a tristeza. A cada dia você me mostrava um significado diferente da palavra amor, que algumas vezes era deitar na grama do parque embaixo das árvores e observar os raios de sol que passavam por entre as folhas, aninhada em você. Outras vezes era saber que você estava ali do meu lado, me vendo dormir. Amor foi acordar todas as manhãs, por mais frio que estivesse, chuvoso, cedo, e saber que você estava ali comigo. Amor foi te abraçar e te beijar todos os dias, dar risada com você, observar as estrelas – hábito que ganhei ao conviver com você amor. Não fazíamos sexo, fazíamos amor, intenso, mágico, era simplesmente perfeito. Estaremos ligados para sempre.
Amor, eu era a pessoa mais feliz do mundo ao seu lado, você me ajudou a superar todos os problemas com alegria, com apoio e paixão. Você jurou que estaria sempre ao meu lado, e eu acreditei em cada palavra que saiu da sua boca. Jamais houve desconfiança entre nós, ciúmes é normal. Cada beijo seu fazia eu me sentir a pessoa mais amada do mundo, e éramos apenas eu e você e ninguém mais importava, nem haveria por que se importar com os outros, pois se no mundo fossemos apenas nós, eu seria feliz do mesmo jeito. Mas houve um final de tarde que você partiu, você me deixou.
- Amor, eu realmente sinto muito por aquele final de tarde que brigamos, nossa primeira briga. O motivo tão insignificante que não lembro qual foi, eu saí irritado. Odiei-te por um segundo, aquele em que passei pela porta. Peguei o carro e dirigi alguns minutos pensando o quanto você era importante para mim, o quanto você também melhorou minha vida. Encostei o carro e vi flores na vitrine da loja ao lado, pensei em você. Entrei na loja imaginando seu sorriso ao me ver chegar em casa com flores, nunca mais brigaríamos. A campainha tocou quando entrei na loja e a garota do caixa me deu boa tarde, retribuí com um sorriso e fui olhar as flores. A campainha soou outra vez…
Porque você tinha que me deixar?
-Virei-me distraído, e meu coração disparou, foi a pior sensação de toda minha vida. O homem encapuzado tirou uma arma do bolso e começou a gritar, ele não havia me visto, foi na direção do caixa, a garota gritava assustada, acertou-a uma coronhada na cabeça e começou a pegar o dinheiro do caixa. Eu paralisado. Nesse momento ele me viu, seus olhos negros me fitaram por um tempo, eu vi todo o ódio através daqueles olhos, raivosos, não havia racionalidade naquele homem, não havia sentimento algum, louco, eu vi o inferno, ele ergueu a arma na minha direção e meu sangue gelou, meu pelos se arrepiaram e o dedo dele apertou o gatilho, inconsequente. Juro que antes mesmo de a bala atravessar meu peito eu pensei em você. Como seria sua vida sem mim? Você conseguiria superar tudo outra vez? Seguir em frente? Você saberia o que fazer? Quais seriam suas escolhas agora? E os nossos sonhos? Você teria forças para realizá-los sem mim? Você choraria todas as noites por mim?
Amor, depois que você se foi todos aqueles sentimentos que quase fizeram com que eu desistisse de tudo antes de conhecê-lo voltaram mais fortes, e sim, eu chorava todas as noites pensando em você. Porque tinha que ser com você? Porque tinha que ser com nós? Um amor tão belo, tão vivo! Sentimento lindo que estava morrendo? Nunca pensamos que aconteceria algo assim, não com nós, essas coisas acontecem apenas com os outros não é mesmo? Depois de um tempo ao olhar para as estrelas eu sentia que você também estava lá com elas, e me dando forças. Tomei uma decisão, a de seguir em frente sem você, por você.
Amor, você sempre será um anjo em minha vida.
Abraceraaa!
Diego is Back!
Elvisiano moreno, guitarrista dos bergas, observador de coisas inúteis, paradigma cartesiano-newtoniano da dinamyte pangaláctica do mochileiro das galáxias!
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Domingo no estádio (ou entendendo o futebol)
Atenção: Este é um post misteriosamente escrito num sábado de manhã, com muita cafeina e sem voia para revisões.
Quem me conhece, ou ao menos lê este blog, sabe que eu não sei jogar futebol, que realmente não gosto dele e que pra mim não é nada mais que um esporte. Mas domingo passado foi uma domingueira diferenciada.
Pois deixe-me começar do principio: Consegui por intermédio de contatos extraordinários dois cartões de sócio para os camarotes e uma vaga de estacionamento no estádio centenário – ou estadio do Caxias – para a primeira partida da final do Gauchão.
E aí você se pergunta:
A resposta é simples (e espantosa): como Caxias e Inter são os dois times preferidos do meu coroa, não pensei em situação melhorar para um programa pai e filho.
E você inconscientemente solta um:
-x-
Chegado o domingo, lembrei de algumas dicas importantes que os contatos extraordinários dos cartões haviam comentado sobre o processo todo:
“É tudo simples Guampa. Tu sai de casa pelo menos uma hora antes do jogo. Certo? Então tu poe esse papel pendurado no retrovisor do carro. A entrada do estacionamento fica ao lado do posto. Quando – escute bem – quando chegar lá haverá um guarda. Mostre pra ele o papel no retrovisor e ele te deixará passar. Depois siga pelo estacionamento até uma área coberta. Lá haverá outro guarda, mostre o papel no retrovisor e ele também te deixará passar. Após isso estacione na vaga cujo número esta no papel – preste atenção homem – e encontre o elevador. Mostre os cartões de sócio e suba até o primeiro andar, nos camarotes. O número do camarote esta no cartão.”
Realmente não teria como ser mais simples. De modo que, num surto de responsabilidade, resolvi sair quase duas horas antes de casa, com o papel já devidamente pendurado no retrovisor.
Uma questão de trânsito
Seguíamos eu no volante e meu pai no carona rumo ao estádio. Eu estava a caráter, pois havia desenterrado uma camisa falsificada do Caxias tamanho GG guardada em casa. Já meu pai estava no melhor estilo senhor respeitável com sua camisa polo com listras, porque ele estava um tanto neutro quanto ao jogo (Mas no fundo torcia pro Caxias que precisava mais do título).
Quando dobramos do cemitério público pra Bento o trânsito estava parado. Entre buzinaços e xingamentos, ficava claro que o pessoal não estava indo pra missa.
- Ainda bem que viemos cedo, dia de final é uma loucura. – comentou sabiamente meu pai.
E o trânsito foi seguindo entre arrancadas e freadas até avistarmos ao longe o majestoso estádio. O clima era muito parecido com o de um grande show: pessoas e mais pessoas descendo a pé, carros não conseguindo andar e lá longe no estádio uma multidão praticamente trancando a rua. Quando chegamos a uma quadra do estádio e eu já distinguia o tal portão de entrada ao lado do posto, eis que no meio da rua um amarelinho desviava os carros para uma rua secundária.
Desembocamos na Julho.
E daí se seguiram diversas tentativas frustradas de aproximação do estádio. Quando olhamos, já havíamos perdido 40 minutos dando voltas em uma Caxias do Sul “mais congestionada que sexta-feira véspera de feriado e dia do pagamento”.
- Estacionamos por aí e descemos a pé. Ta muito cheio lá. – disse sabiamente meu pai.
E deixamos o carro na Julho, descendo a pé pro estádio.
-x-
Uma bela caminhada depois e eu começava a questionar se tinha feito certo em ir pro jogo. Eu já havia ido uma única vez antes, na arquibancada do Caxias, devia ter uns 7 anos. Lembro que o jogo daquele dia era tão interessante que eu passei o tempo todo admirando os pássaros e as pessoas xingando – inclusive devo ter aumentado meu vocabulário de palavrões. Acabou num empate de 0×0. Já meu pai costumava levar meus irmãos no estádio quando era mais jovem. Mas parou de ir quando os estádios ficaram “muito violentos”. Na verdade só o convenci de ir porque era camarote.
Quando passamos a pé pelo ponto onde o amarelinho desviava o trânsito, curioso constatei que alguns carros não eram desviados. Deviam ser tipos importantes. Então observei novamente e vi que eles apontavam pra um papel pendurado no retrovisor, por isso passavam.
Uma Questão de Organização
Chegamos finalmente aos portões do estadio. O clima por ali era de total demência, como na entrada de um grande show: um bando de pessoas gritando, pulando, babando e bebendo. E quando digo bebendo é bebendo bastante, afinal dentro do estádio só vende refrigerante.
Fomos abrindo caminho pela multidão e entramos no estacionamento. Após entramos no segundo estacionamento (o coberto) saindo da multidão. Sem nenhum tipo de indicativo de onde ficavam os camarotes e eu sendo completamente ignorado pelo guardinha pendurado no telefone, meu pai foi pedir informação para uma aspirante a modelo que distribuía panfletos do Círculo.
- Tem um elevador ali em frente. – ela respondeu entregando um panfleto.
E encontramos o tal elevador com uma pequena fila e uma catraca. Ao lado dela um tipo de corpo atlético estilo jogador de futebol e cara de jogador de futebol, vestido como os jogadores de futebol se vestem quando não estão em campo, distribuía autógrafos e posava para fotos. Devia ser alguém importante. Olhei pro meu pai com certa vergonha de pedir quem era.
- Esse ai não é o Washington? – comentou meu pai.
Um senhor de camisa do Caxias com um belo bigode branco atrás de nós na fila respondeu.
- É, é o Washington! Um dia ainda vai ser o presidente!
Quando enfim passei a catraca, falei pro tal Washington:
- Tu ainda vai ser presidente!
Ele sorriu e acenou de volta.
-x-
Chegamos no elevador. Ao lado dele havia uma placa explicando os andares. Li claramente:
3º ANDAR – CAMAROTES
Então quando entramos no elevador com mais alguns tipos, apertei no terceiro junto com um cara com credenciais da RBS. Enquanto o elevador subia meu pai foi conversando com um cabeça branca com pinta de importante, que vestia uma camisa polo azul com emblema do Caxias. Esse ainda não descobri quem era afinal.
Chegamos no terceiro andar e deparamo-nos com um grande leão de chácara guardando uma porta que dizia “DIRETORIA”. Olhando aquele sr. respeitável de camisa polo listrada acompanhado de um juvenil torcedor, o leão perguntou:
- Convidados?
Nos entreolhamos eu e meu pai. Éramos convidados, de certa forma.
- Sim, pra que lado fica o camarote 37?
Ele apontou pra esquerda.
Seguimos.
Era um corredor estreito cheio de fios no piso e diversas cabines minusculas à direita. Em algumas delas cuja a porta estava aberta, era possível ver perfeitos radialistas com fones e microfones. E em uma em especifico havia inclusive uma câmera parada no corredor e dentro – vejam só – o Pedro Ernesto. Passamos por eles e chegamos a uma porta que dava acesso ao que devia ser o Mezanino: uma visão espetacular do campo.
E lá havia um baixinho escorado, perguntei:
- Onde fica o camarote 37?
Ele pareceu repentinamente assustado.
- Os camarotes ficam no segundo andar. Mas eu acompanho vocês até o elevador.
Despedimo-nos do leão de chácara e descemos pro segundo andar, encontrando o cabeça branca de camisa polo azul com emblema do Caxias que foi conversando mais um pouco com meu velho.
-x-
No fim das contas os camarotes ficavam no primeiro andar. Chegamos lá faltando uma meia hora pro início do jogo. No camarote 37 os contatos extraordinários já aguardavam o início da partida e com eles fiquei sabendo de duas informações bastante explicativas: antigamente os camarotes eram no terceiro andar e o pessoal do clube costumava chamar o primeiro andar de segundo andar sabe se lá diabos por quê.
Finalmente o Jogo
A visão do camarote não era tão boa quanto no mezanino, mas pelo menos havia conforto e um vidro. Enquanto o jogo não começava fomos entretidos pela banda da brigada que, com muito estilo, tocou clássicos como “ai bota aqui ai bota ali o seu pezinho”.
Diga-se, eu realmente tenho apreço por instrumentos de sopro.
A medida que o início do jogo se aproximava a tenção nas torcidas aumentava. E quando finalmente começou, o que se viu foi um belo espetáculo de fogos e loucura. E aqui posso usar de clichês tranquilamente: um jogo em um estádio passa dos limites de um simples esporte, é como uma grande batalha. Todas aquelas pessoas uniformizadas urrando e cantando, agitando bandeiras. É como se deixar levar pela loucura. É algo contagiante. Imagine soltar um pobre infeliz de uma torcida em meio a outra torcida. Seria despedaçado sem piedade pelos bárbaros.
Por exemplo, tinha um sujeito em particular muito interessante em um camarote próximo. Não vou descrevê-lo, mas digamos que ele possuía uma pequena veia saltada nas têmporas. Passou o jogo todo imerso em seriedade com seu radinho AM, como que alheio a tudo. Mas a medida que as jogadas iam dando errado, via-se algum tipo de fúria desenfreada em seus olhos. Então vez por outra explodia em uma espécie de grasnando dando socos no ar e distribuindo gracejos a jogadores e arbitro.
Provável que fora do estádio ele seja um bom pai de família, responsável profissional e até dotado de um alto altruísmo. Mas lá, naqueles dois tempos de 45 minutos mais acréscimos, ele era uma besta selvagem, o homem primitivo, com todas as regras da sociedade postas de lado.
E acho que é isto que faz do futebol esse esporte idolatrado religiosamente. Esta fuga temporária para um local onde, numa espécie de gangue gigantesca, os homens travam lutas como seus ancestrais faziam. É agradável poder xingar e brigar na segurança de uma torcida que também esta brigando e xingando. É como se a testosterona fosse posta em primeiro plano, e isso traz um alívio celestial após uma semana corrida.
E eu que tão pouco estava ligando pro resultado do jogo no início, acabei contagiado xingando eventualmente e torcendo pro Caxias. Digo que o menor pio da torcida do Inter me causava ira. Eu estava provando realmente da droga.
E quando sai do estádio, pouco antes do fim do jogo, e observei outros pais com seus filhos – alguns de no máximo 5 anos de idade – em meio a tudo aquilo, crescendo nesse ambiente, tornaram-se lúcidas muitas coisas sobre a sociedade e a humanidade como um todo.
Foi uma experiência sem dúvida válida. Tanto pra mim, quanto pra meu pai.
E até vou ver o segundo jogo da final amanhã.
Mas em casa, é claro. hehehe
ó ié bêibé
Henrique Guampa
É gaúcho, magro, roqueiro, baterista, webmaster e colaborador cósmico efervecente intergalático do pandemonium transcedental tântrico dos Bergamotas.
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Malandro mesmo é o…
Era noite de prova na faculdade. Cheguei à sala aula com o coração disparado, comecei a folhar caderno, folhar livro, meter colinha no estojo, no celular, na classe, nos bolsos, na parede… Então percebi uma garota me olhando, ela parecia estar tentando descobrir o que eu estava fazendo.
- Estou colando mulher, me deixe em paz! – Afinal, não tinha tempo para papear.
- Mas é com consulta a prova cabeçudo. – Disse balançando a cabeça e virando-se.
De súbito, abri um sorriso e larguei aquele bolo de papéis em cima da mesa, joguei as colas no lixo, me ajeitei na cadeira como quem está no sofá de casa numa tarde de domingo e fiquei esperando a professora chegar. Além de ser malandro tinha sorte.
Parei e pensei.
No momento em que pensava no que faria quando chegasse em casa mais cedo – pois terminaria esta merda de prova com consulta em 15 minutos – a professora chegou, largou as provas na mesa e disse:
- Peguem seu material de apoio para a prova.
Coloquei na mesa tudo o que tinha, mais ou menos umas 38 páginas. Ela seguiu entregando as provas, na minha vez parou e me encarou séria.
- O material de apoio é a folha A4 frente e verso – escrita a mão e não digitada - que estou falando desde o primeiro dia de aula que permitiria que vocês usassem na prova, pode guardar todo esse material Diego. – Bateu o pé esperando que eu guardasse.
- Mas essa mulher – apontei para a garota ao lado – me disse que era com consulta.
A garota logo interviu.
- E é com consulta, só que o material que tu deveria ter preparado em casa, e nem vem querer dar uma de malandro agora e colocar a culpa em mim, tu teve mais de um mês pra preparar esse material.
Pensei.
Neste momento a professora retirou meu material da classe e me entregou uma prova de quatro folhas.
- Vai fazer sem consulta pra deixar de ser abobado de gente!
Todos começaram a responder a prova, e em 15 minutos algumas pessoas começaram a levantar, entregar a prova e ir embora. Eu ainda não tinha respondido nada. Olhei para a garota ao lado querendo esganá-la, e percebi que sua letra era grande, podia ver o que tinha escrito.
Toma! Quis me ferrar sua nerd, agora vou copiar tudo de ti.
Peguei a caneta e comecei. A professora sempre me cuidando, desconfiada. Mal sabia de minhas malandragens.
Parei de escrever e pensei.
Havia conseguido copiar tudo. Esperei alguns minutos depois que a garota saiu e entreguei a prova para a professora, indo embora satisfeito.
- Tchau professora. A propósito, o material de apoio não me fez falta. – Falei arqueando a sobrancelhas.
- Que bom pra ti. A propósito, as provas não eram iguais. Tchau Diego. – Falou calma e tranquilamente fugindo o olhar, mas claramente satisfeita ao saber que eu havia me ferrado legal.
- Faltou malandragem bixo! – Gritou alguém do fundo da sala de aula.
Pensei.
Abraceraaa!
Diego is Back!
Elvisiano moreno, guitarrista dos bergas, observador de coisas inúteis, paradigma cartesiano-newtoniano da dinamyte pangaláctica do mochileiro das galáxias!
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Meia-noite. Noite e meia
…Acordo com um ruido estranho, não sabia ao certo o que era, apos uns 10 minutos percebi que era o som de um sino, alguma igreja chamando alguém pra missa, minha cabeça roda como se estivesse atravessando uma montanha russa, “que barulho é esse?” Me pergunto sem ao menos saber onde estava.
Lentamente levanto a cabeça, percebo que estou atirado no chão, em um lugar que não conheço, “o que é isso? Onde estou?” levanto, parecia ser um quarto sem cama, me arrasto ate a porta, vejo um cara tomando café em uma mesa suja, “ hei cara, quem é você? Onde estou?” pergunto ao sujeito, “hahahaha” ri da minha cara. “Porra tu ta mesmo mal, hein Ivo!” gargalha me apontando o dedo sujo de margarina, “mas quem é você?” torno a perguntar, ele apenas ri. “Minha cabeça para de roda, parece que alguém me deu soco!” reclamo.
Do nada aparece uma garota gritando, me agarra me abraça forte, me deixando sem Ar, “que bom que cê acordou, achei que teria de que jogar um balde de água fria em ocê!” Grita toda feliz com seu sotaque paulista, “ quem é você?” Pergunto com os olhos arregalados, “ sou eu, Rebeca!” Retruca, “porra não lembro de nada! O que aconteceu, onde estou?” pergunto a ela, “ baah Roberto, tu não parece estar muito bem!” diz a garota, “eu não me chamo Roberto! Sou Rafael!” exclamo. “Mas ontem tu me disse que era Roberto, dizia que era como o rei da jovem guarda, reclamava que a jovem guarda tinha envelhecido, sempre falando da maldita jovem e agora velha guarda!” Me explica a mulher de cabelos negros e olhos grandes, “quero ir em embora!” Reclamo.
Do nada surge um cara de trás de um sofá, “Baah bicho, melhor não hein, lá fora ta um caos.” Me fala lentamente. “Meu deus e, agora, quem é você?” O questiono “ aaaah cara tu é de mais, que festa hein” fala com um olhar débil “ aaaaaah, não ficarei mais um minuto aqui!” exclamo. “Mas amor, vai pra onde?” diz a paulista. “Quem é você? Que historia de amor é essa?” À questiono. “Sou eu Rebeca ontem tu disse que me amava!” começa a chorar, “nem sei quem tu é! Alguém me explica o que aconteceu na noite passada!” Questiono todos, “mas Ivo tu é um esquecido hein!” fala o rapaz sentado a mesa enquanto devora uma fatia enorme de pão. “ PORRA, SOU RAFAEL, RA-FA-EL! NÃO ME CHAMO IVO.” Grito.
- -x-
Acordo. Foi um sonho? Minha nossa que loucura, aaaaaah, ainda bem que estou em casa, aquilo foi um pesadelo. Levanto, vou ate a janela observar os transeuntes que circulam na rua, aproveitar o sol matinal do alto do meu apartamento, mas espere um pouco! Eu não moro em um apartamento, minha janela não pega sol, o que é isso? “Rooooberto” alguém grita. Não, não era um sonho, estou vivendo um pesadelo, cadê o sol? A janela não abre! Minha visão fica turva, não vejo mais nada, sinto minhas pernas fracas, caio.
- -x-
Estou em um sonho de novo? Pergunto-me, sem saber se estava acordado ou dormindo.
- -x-
“Olá, que bom que você acordou! Já levei as crianças pra escola, agora e só curtir este lindo dia”, aaah não eu conhecia aquela voz, nunca me esqueceria daquele sotaque paulista, me viro, olho nos olhos dela, “oi amor”, me diz com um sorriso simpático. “Mas quem é você?” pergunto “ hahahaha engraçadinho, vem logo, seu café esta esfriando!” Levanto, ela sai correndo, olho pra mim, a barba bem aparada, um quarto enorme, pijama de seda, ate quando viverei neste sonho absurdo? Vou aproveitar! Então devo tomar café é, que assim seja! Vou ate a cozinha, “mas hein, onde esta a mulher paulista?” penso, “hei mulher, onde você está? Vem aqui precisamos conversar”. Grito ao além, sem ninguém me responder.
“Buuh” grita atrás de mim, me viro olho pra ela, pego em sua mão, ela começa a se despedir, corpo alvo como a neve, seus olhos grandes e cabelos negros, “ vem comigo amor, tenho uma surpresa pra ti!” A sigo enquanto ela tira a roupa, voltamos para cama, agora esta nua, a beijo.
- -x-
Aaaaaaaaah, acordo! O que foi isso, agora que estava ficando bom, que hora é? Minha nossa que noite mais conturbada, cadê meu chinelo, porra ainda é 3 da manhã! Tenho que trabalhar! Tenho que dormir! Mas que medo de dormir! Será que sonhei? Vou ate a cozinha, era minha casa! Mas cadê o cara com o dedo de margarina, cada a paulista? Cadê meu cigarro!?
- -x-
– Aaaaah como não é bom domir!
Vamos, entre no ritmo!
Everton Gamela
Sr. Gamela nascido nas planícies agora habitante das montanhas, vive intensamente os anos 60 apesar de ter nascido nos 80. Um legitimo amante de Raulzito e Doors. -Corre atrás do ônibus, para, acende um cigarro, procura um bar onde tenha bira barata. (-final estranho né! -talvez eu seja um estranho no mundo de pessoas normais.)
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Gatos
Estive durante as últimas três semanas praticamente espremendo meu cérebro para ver se alguma ideia interessante poderia sair e postar no blogão.
Comecei um texto sobre um bate boca que tive no ônibus semana passada… Mas acabei desistindo, um pouco por inibição e outro tanto porque já escrevi muito sobre transporte público, e também porque odeio falar só de coisas que odeio.
Depois pensei em escrever sobre a putaria capitalista do dia das mães e a situação constrangedora que a indústria mercadológica me impõe todos os anos porque nunca consigo comprar um presente descente para minha querida e amada progenitora. Sempre pensei que ser uma boa filha já bastava como um presente adequado, mas a televisão e o comércio local insistem em me fazer insatisfeita com meus valores…
Até que ao findar de mais uma semana tempestiva em meus pensamentos, resolvi escrever sobre uma coisa me acalma e me faz esquecer do mundo e das mesquinharias inseridas nele.
Gatos!
Amo gatos, adoro gatos e venero gatos!
Não que eu não goste de cachorros, não sei quem começou com a rivalidade de preferências humanas entre eles (Como se já não bastasse a rivalidade natural), até porque são grandes amigos também. E posso dizer que sou consciente quando digo isto, pois tive muito mais cães do que gatos durante toda a minha vida. Cães são adoráveis, brincalhões e carinhosos. Mas gatos…
Ahh, gatos…
Gatos são fofos, são lindos, são carinhosos e queridinhos. Brincam sem babar, sem arranhar e sem machucar – quando são bem cuidados. Mas por que as pessoas odeiam gatos (e não cachorros)?
Sempre escuto as mesmas razões furadas:
- Ah, uma vez fui na casa da minha tia e o gato dela me arranhou!
- Eu não gosto do pelo que eles jogam pela casa, fazem sujeira por tudo!
- Gatos não gostam de carinho, eles ficam dormindo o dia inteiro e não gostam de você. Cães são muito mais amigos do homem…
Agora eu fico pensando comigo mesma: Nunca vi um cão que nunca mordesse ninguém, mesmo que tenham aqueles extremamente dóceis, os dentes ainda estão ali e podem morder qualquer pessoa desde que entendam que estão se defendendo. Eu mesma já fui mordia duas vezes por cães de amigos e vizinhos, mas não passei a odiar os cachorros por causa disso.
Gato deixa pelos, cachorro também, canário solta penas e ratos espalham a ração. Todo animal faz bagunça, sujeira e se divertem a beça. Quem não gosta destes sujis-mundos fofinhos também não deveriam ter filhos, já que nós os ditos “seres humanos” também fazemos muita arte e muita sujeira quando pequenos. Então se você odeia os bichos porque fazem sujeira, também deve odiar a si mesmo.
Seu gato dorme o dia inteiro e não dá bola pra você? Olhe bem, será que ele não está repetindo um comportamento seu?
Os gatos são os seres mais intuitivos que já vi, eles sabem o horário que você chega e te espera na porta. Sabe que todo fim de semana de sol vai ter um banho, e já dão um jeito de sair correndo! Sabem até o cantinho da cama que você gosta de dormir, e já ficam te esperando no cantinho próximo dos teus pés pra te esquentar e se aconchegar pertinho de ti.
Como podem estes animais sofrerem tanta discriminação?
Alias, como podemos nós discriminar uma coisa tão dócil?
Quem sabe isto seja um reflexo de nossa principal incapacidade de amarmos a nós mesmos. A dificuldade mais velha do mundo: Aceitar os outros como são e suas características que o tornam único, amarmos uns aos outros como irmãos sem fazer diferencial.
Por que não amar os brancos?
Por que não amar os negros?
Por que não amar os índios?
Por que não amar os judeus?
Por que não amar os gatos?
Eliz
Nascida em Porto Alegre, Blogueira em período de experiência, Estagiária comercial, aspirante a desenhista e cantora de chuveiro em momentos de lazer (e higiene). Estudante de Administração, Marketing, Arte e Filosofia de Vida, etc. Ainda não sei tudo, por isso vivo aprendendo...






















